A Autoridade Imperial na Gênese da Ortodoxia Cristã (Séculos IV–VIII)
A transição do Cristianismo de uma seita marginalizada e intermitentemente perseguida para a religião estatal do Império Romano representou mais do que uma alteração de status jurídico; foi uma metamorfose na própria ontologia da “verdade” teológica. A partir do século IV, a definição da ortodoxia deixou de ser uma deliberação puramente eclesial para tornar-se um imperativo de segurança nacional. Sob a ótica do Estado, a fragmentação doutrinária era o prelúdio da fragmentação política. Assim, os concílios ecumênicos não devem ser vistos apenas como assembleias litúrgicas, mas como instrumentos estratégicos de coesão imperial.
