Aplicação da Metodologia da Análise Filosófica Contextual: Santo Anselmo de Aosta
Este ensaio nasceu de uma pergunta simples: como estudar um filósofo sem transformá-lo em um conjunto de citações ou de opiniões prontas? A questão impôs-se no início do estudo de Santo Anselmo. O objetivo nunca foi produzir uma dissertação acadêmica nem formar um especialista; era muito mais modesto, embora metodologicamente mais exigente: construir uma forma de estudar qualquer filósofo medieval em aproximadamente uma ou duas semanas, chegando ao final desse período com uma compreensão suficientemente sólida para responder a quatro perguntas fundamentais: quem foi esse autor; qual problema ele tentou resolver; em que tradição intelectual ele se insere; e o que permanece filosoficamente relevante em sua obra.
O plano inicial seguia um roteiro bastante tradicional: biografia, obras, principais conceitos e influência. Logo ficou claro, porém, que esse tipo de abordagem produz um conhecimento superficial. Aprende-se o que cada autor afirmou, mas raramente se compreende por que afirmou exatamente aquilo. As biografias convencionais confirmam essa impressão: data de nascimento, mosteiro de Bec, arcebispado da Cantuária, conflitos com os reis ingleses, morte, lista de obras. As informações são corretas, mas, terminada a leitura, permanece uma sensação de vazio — sabe-se muito sobre a vida do homem e muito pouco sobre a necessidade intelectual que o levou a escrever. Foi da insatisfação com esse modelo que surgiu a metodologia aqui denominada Análise Filosófica Contextual.
