Debate: Retórica, Tecnologia e Persuasão na Era Digital – Parte I
Parecer e ser, crer e conhecer, persuadir e provar.
Do Logos à Rede: a Retórica Antiga e o Poder de Convencimento na Era Digital
Por Odair Aguiar
5/12/2025
Resumo
Da Grécia Antiga à Inteligência Artificial, o poder da palavra continua moldando realidades.
Para Górgias, o logos não reflete o mundo — ele o cria. Platão, desconfiado, via na retórica o risco da manipulação. Isócrates, mais moderado, lembrava: a técnica é neutra; o problema está no uso que fazemos dela.
Hoje, a Internet e a IA ocupam o lugar da antiga ágora. As redes sociais são arenas de disputa discursiva, mas agora são mediadas por algoritmos que selecionam, amplificam e personalizam discursos. A verdade cede espaço à eficácia; o que importa não é o que é verdadeiro, mas o que é viral.
Se antes o sofista persuadia conscientemente, hoje o algoritmo aprende a persuadir sem responsabilidade moral. Surge, assim, um novo dilema clássico: como conciliar a liberdade de expressão, o pluralismo e o risco de manipulação?
A pergunta que inquietava os gregos retorna com força renovada: Quem governa o logos — e, hoje, quem governa os algoritmos do logos?
No fim, a questão permanece ética e humana: O que fazemos com o poder de falar… e de fazer crer?
