Protágoras entre Linguagem, Verdade e Poder

Por Odair Aguiar 10/12/2025

Resumo

Este ensaio revisita a célebre tese de Protágoras — “o homem é a medida de todas as coisas” — questionando a imagem consagrada do sofista como relativista radical e inimigo da verdade. A partir de uma abordagem hermenêutica, o texto sustenta que essa leitura não decorre de uma necessidade filosófica ou filológica, mas de uma derrota histórica da sofística frente ao projeto platônico, mais compatível com a constituição de hierarquias políticas e epistemológicas. Ao analisar a linguagem do fragmento protágoreo e sua recepção por Platão, Aristóteles e intérpretes modernos, o ensaio defende que Protágoras não nega a verdade, mas a reinscreve no horizonte humano, prático e intersubjetivo. A sofística emerge, assim, como uma alternativa crítica duradoura: uma filosofia da linguagem, da pluralidade e da responsabilidade humana pela verdade.

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